A Fé que Nunca Falta.
Só se sente sozinho que não
tem sensibilidade nos sentidos. Não faz muito tempo que eu trabalhava para uma
Empresa de São Paulo/SP, e uma das minhas funções era realizar visitas a
pacientes que fazia uso ou iria iniciar o uso de medicamentos imunobiológicos. Por
ocasião a minha coordenadora ligou-me e avisou que eu teria uma visita a
realizar em Jurupiranga/PB, prontamente organizei minhas coisas de enfermagem e
o GPS (Global Positioning System, que em
português significa “Sistema de Posicionamento Global”)
e foi aí que começou toda a história.
Saindo da minha Cidade
Recife/PE, programei o GPS para levar-me ao meu destino. Fiz minhas orações,
pedi proteção ao Divino Pai Eterno e a Meishu Sama e fui... No caminho até
Goiana/PE, tudo bem, mas depois que passei desta cidade o GPS reprogramou o destino,
mas sempre “programado” para chegada em Jurupiranga/PB, fui curtindo a paisagem
como sempre faço quando viajo a negócios e preocupado com a hora marcada com a
cliente (pontualidade é minha meta também). Chegando à entrada de João
Pessoa/PB, outra reprogramação e começo a ficar preocupado. Paro o carro
verifico se o GPS está funcionando direito e sigo caminho com Fé em Deus,
Meishu Sama e Santa Rita de Cássia. Coincidência ou não ao chegar ao município
de Santa Rita/PB, o Sistema de Posicionamento
Global pede que eu vire à esquerda e depois de 100 metros virar à direita,
obedeço cegamente... Meu erro.
Ao chegar
perto do que seria meu destino me deparo com um canavial imenso e estrada de
barro, só estrada de barro. Quem tem o Sistema de Posicionamento Global sabe
que ele pode nos levar a outro destino e por vezes muito perigoso e foi o que
aconteceu. Perdido eu e meu GPS quase caí em um barranco, a sorte foi que dirijo
com prudência e atenção e consegui evitar o pior. Vontade não faltou para jogar
o maldito GPS nos quintos dos infernos, mas como saí de casa coberto de orações
ao Divino Pai Eterno recorri. Parei o carro, olhei para o alto e falei: “Senhor
Deus Pai Todo Poderoso envia-me uma pessoa nesse lugar deserto para guiar ao
destino correto”, não demorou trinta segundos e apareceu a minha frente um
cidadão, meu sorriso largo quase saiu do carro. Tomei informação e prontamente
segui caminho, contudo quanto mais eu andava mais mato eu via e mais estrada de
barro percorria. Recorri ao Pai Celestial, e novamente apareceu naquele lugar
ermo outro cidadão (segunda vez), o homem me diz que estou no caminho certo e
pede para que eu não me desvie da rota e quem sou eu para desobedecer a um
enviado de Deus? Cantarolando continuei dirigindo e tenham certeza, cantar os
males espanta mesmo e despois de vários quilômetros dirigidos encontrei uma
encruzilhada, sim uma linda e perfeita encruzilhada do interior. Começo a rir e
a pensar no atraso que estou para encontrar a paciente que naquele momento
deveria estar impaciente. Celular? Não funcionava. Saio do carro me coloco em
pé, olho ao redor da região e vejo uma casa simples e sem hesitar vou até a
mesma. Desconfiado por adentrar no terreno alheio alteio a voz para que me
ouçam e não venha a levar um tiro por invasão. Outro cidadão (terceiro) aparece
na porta e digo o quanto estou preocupado e ele acalma-me dizendo que estou
perto é só seguir em frente até encontrar a estrada asfaltada. Três vezes tá de
bom tamanho, retorno ao carro já todo enlameado e vou ao destino.
Chego a tão
esperada estrada asfaltada e ao meu lado acreditem se quiser uma capela dessas
de estrada e no alto uma informação: “Capela dos Mortos”. Agradeço a Deus e
também peço perdão por estar tão atrasado, melhor chegar logo para voltar à
Cidade Natal. Recebido pela paciente repasso todas as informações pertinentes
para uma boa auto aplicação do medicamento para Artrite Reumatoide e
confesso-lhe o motivo do atraso. Ela me olha com espanto e fala: “Meu filho,
você escapou da morte. Aquele lugar é de desova dos bandidos dessa região”, respondi
àquela tão gentil senhora: - Quem anda com Deus nada teme. Ela orienta-me a
voltar por Itambé/PB, e depois que chegar a Goiana/PE, seguir para Recife/PE. Eu
não sei se eu ria da situação ou ficava com raiva de mim mesmo... Eu estava tão
perto e fui confiar em um GPS maluco, mas a Fé que nunca falta livrou-me dos
percalços da vida, fiz minha visita, voltei por onde a paciente orientou-me
chegando em casa com segurança e abençoado pelo Divino Pai Eterno, Meishu Sama
e Santa Rita de Cássia... Amém.
Fernando
Matos
Poeta e
Enfermeiro Pernambucano
http://contosdaenfermagem.blogspot.com.br/

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