A Maternidade em Festa
Hoje, volto a escrever meus contos de Enfermagem, trazendo vivências pessoais e de ilustres colegas de profissão que nos chocam e/ou nos alegram.
O ano de 2026 está se tornando um ano de grandes eventos culturais em Pernambuco e, em especial, na minha cidade, Recife.
Uma criança estava internada em uma das maiores unidades de saúde do Recife para um tratamento neurológico sério. Então, chegou o Carnaval do Recife, um dos melhores e maiores carnavais do mundo; daqueles festejos de Momo que não se perdem por nada nesta vida. Foi pensando dessa maneira que a genitora do paciente citado agiu: foi para o Carnaval.
Como assim? Ela chegou à equipe multiprofissional e disse, veementemente, que queria a alta hospitalar do filho para brincar o Carnaval. A equipe ficou pasma e dialogou de diversas formas, tentando convencer a genitora de tal absurdo, pois tal atitude poderia levar seu filho à morte. Irredutível, ela ainda disse: "Só se vive uma vez e não vou perder o meu Carnaval".
À equipe, não restou outra alternativa a não ser pedir que a responsável pela criança assinasse um termo de responsabilidade. Assim foi feito e, até a data de hoje, não tivemos mais notícias da criança nem de sua genitora.
A vida é como ela é, e nós, da Enfermagem, convivemos com fatos tão reais e brutais.
Fernando Matos
Enfermeiro e Poeta Pernambucano
Brasil 🇧🇷
