terça-feira, 7 de novembro de 2017

Ainda Não é a Hora

Ainda Não é a Hora



Devemos ter cuidado como utilizamos o pincel da vida... Um pequeno detalhe poderá alterar a imagem por toda a eternidade. Novos alunos com novas expectativas e desafios, sim até porque noventa por cento deles já estão na área de saúde há muito tempo. O setor de emergência é sempre uma caixa de grandes surpresas e durante um plantão qualquer acontecimento poderá se transformar em um grande ensinamento.


Chegou a nossas mãos um paciente que havia tentado suicídio e nesse momento começamos correr contra o tempo para reverter o quadro crítico. A minha equipe de alunos havia pessoas que já trabalhavam como técnicos em enfermagem nas áreas de trauma e resgate, estando naquele momento participando do estágio de graduação para galgar mais um grande degrau na carreira profissional. Posicionamos-nos cada um no seu lugar de atuação, alguns tentando acesso venoso periférico, outros realizando aspiração de secreções uma vez que a vítima havia ingerido algum tipo de veneno ainda não identificado. Para isso outro aluno foi em busca dessa informação para podermos agir conforme o protocolo... Entretanto a equipe médica parecia não haver passado por esse evento ainda e buscava informações médicas em aplicativos na rede de computadores... Tudo bem cada um na sua área e a nossa de Enfermagem estava agindo corretamente apenas aguardando as médicas para a realização da EOT (Entubação Endotraqueal). A primeira tentativa não houve êxito e na agitação que é peculiar da emergência a médica fez outra EOT sem tirar a anterior o que causou espanto em toda a equipe de enfermagem. Os olhares falavam muito, “dizer ou não dizer” que algo estava errado, optamos por dizer em prol do paciente. Foi feito a correção e a EOT funcionando perfeitamente. Agora a passagem de SNG aberta para retirada de fluidos e certos tipos de procedimentos não adianta ficar tenso ou com pressa de resolvê-lo... A colega Enfermeira do plantão de tão nervosa não obteve bom resultado, então me ofereci para passar tendo êxito apenas com a ajuda dos meus alunos de graduação. Depois de todo o procedimento feito nos reunimos e conversamos sobre o ocorrido, fazendo um estudo de caso ali ao vivo e na hora o que nos foi uma experiência inenarrável. Durante o restante do nosso plantão na emergência o paciente manteve-se em estado instável e aguardando vaga em alguma de UTI do Serviço Público.


Quando todos estavam distantes a conversar sobre o assunto, cheguei mais próximo daquele cidadão que tentara contra sua própria vida e disse-lhe baixinho: Ainda não é à hora e acredite você se livrou de um enorme pesadelo espiritual. Que os Anjos de Luz te guiem e te oriente. Não vai ser nada fácil, contudo poderia ser muito mais difícil... Fica com Deus.  

Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano

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domingo, 17 de setembro de 2017

O Impossível a se Fazer Possível

O Impossível a se Fazer Possível



Não repare a distância a percorrer, dê um passo com segurança de cada vez. O mundo está passando por uma transformação que aos olhos negros poderá parecer apenas mais um dia simples, à visão vinda do Superior uma Nova Era com grandes superações. Não terei a certeza talvez se todos os alunos que agora passaram por mim puderam ter a sensibilidade de observar a energia que somos e por ela estamos sendo utilizados, mas sigo em frente confiante que a semente do cuidar foi plantada.

Em mais um dia de serviço tanto a fazer e pouco tempo para solucionar as dores e incertezas dos pacientes. Um cidadão com SVD fazendo irrigação contínua fica com a sonda obstruída, apresentando piúria tenta-se a desobstrução e nada, volta ao médico e esse tem o êxito. Não importa os comentários, mas o sorriso de satisfação do paciente no seu caso por hora resolvido. Outro paciente na maca retrátil que não funciona mais e se torna rasteira dificultando qualquer tipo de procedimento... Todavia para os determinados isso não é determinante e sete pessoas unem-se para dar um banho de conforto ao irmão necessitado, faz-se curativo na UPP (Úlcera Por Pressão) e na lesão severa localizada no testículo. Olhares de dúvidas, sentimento de força e união, um paciencioso na luta por sua recuperação. Fato que levou a todos a sonhar e manter oração constante em prol de sua melhora... Agora uma paciente com dores fortes no joelho sem ainda um diagnostico fechado, olhar de súplica e sou surpreendido por sua voz espiritual clamando socorro. Pego o prontuário pergunto o nível de dor, faço a primeira intervenção que é ouvir e dar uma voz de conforto, contudo nada disso ainda é o alívio suficiente para tanta algia. Ao longe outro paciente parece pior e chamam-me para intervir e o equilíbrio nessas horas é fornecido por esferas superiores. Dou solução ao caso iminente, dirijo-me a sala de preparo das medicações e sem demora manipulo com cuidado a medicação daquela paciente com dor insuportável. Volto a sua maca, agora trazendo a solução que ela tanto almejava e a encontro tremendo de tanta dor, olhos cheios de lágrimas... Sem demora instalo a medicação e peço para que observe a melhora ou piora e chame-me se preciso. Vou à procura dos meus alunos e eu encontro eles com olhar compenetrados ajudando o seu próximo, por dentro de mim cai uma lágrima de alegria acreditando que estou repassando as orientações correta. Depois de algumas horas a mais de serviço em meio a um mar de macas, passo novamente pela jovem que antes era só dor, agora já um sorriso que superou aquele momento álgico a mesma pega em minha mão e diz: Muito Obrigado. Peguei o prontuário daquela jovem mulher e em busca de tentar entender porque sua família estava tão apreensiva... A suspeita era de Leucemia, os resultados dos exames já mostravam isso bastando apenas o médico dizer a verdade à família. Deus por nós que recorremos a vós...

Assim mais duas turmas de estagiários findam seu período e seguem para novos encontros com outros preceptores e o meu desejo é que a Luz do Divino Amor esteja com cada um deles capacitando-os no Eterno Cuidar ao semelhante.

Plantamos sementes de alegria entre espinhos, na esperança que lindas flores de louvor possam glorificar o Grande Construtor do Universo.


Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Educação que Vem dos Chinelos

A Educação que Vem dos Chinelos



Momento de descontração na Enfermagem é sempre bem vindo e faz bem a saúde de quem está sempre disposto a cuidar do seu semelhante. Eu sempre soube que a boa educação vem de berço, um ditado tão antigo e pouco aplicado no nosso dia a dia não é verdade? Mentira, eu conheço uma pessoa que vai além dessas expectativas de boa educação.

Estávamos iniciando mais um plantão com seus diversos problemas a serem resolvidos e minha equipe sempre muito bem atenta e é assim que gosto, pois dá certa leveza ao trabalho ao contrário que muita gente pensa que o estresse é o motivador do profissional. Estar em QAP (Atenção) para o que acontece ao seu redor no trabalho de Enfermagem evita desgastes emocionais desnecessários. Se começamos um plantão em ordem é nosso dever devolver em ordem para haver uma ótima continuidade do serviço. Pois bem, assim nos comportamos e na hora sagrada do almoço e parece que tudo acontece nessa hora (risos) ao final de uma boa alimentação para o segundo turno de atividades na saúde em prol do nosso semelhante ouvi umas gargalhadas e curioso perguntei... Ficaram meio envergonhadas com a pergunta, mas depois jogou no ar a gafe do mês das flores. A colega JMM ao ir ao sanitário de longe observou o que poderia ser dois pés e com muita educação pediu licença para adentrar no banheiro. Foi quando a mesma se deu conta que tinha usado da sua boa educação para um par de chinelos... Riso solto fez nosso dia mais feliz naquele momento. Voltamos mais iluminados para terminar com alegria mais um plantão.

Não importa o modo da felicidade, a graça está na alegria de quem a vive.


Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano
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domingo, 3 de setembro de 2017

Benevolência Universal

Benevolência Universal



Todos os caminhos percorridos nas encruzilhadas da Vida só uma seta que nos mostra o caminho para retornar... Quando comecei a minha jornada na saúde e tinha como propósito ajudar o meu semelhante nada é igual que a sensação de estar de volta ao Hospital Otávio de Freitas, minha casa onde tudo começou. Atualmente atuando como preceptor de estágio, repassando tudo que apreendi nesses longos quem sabe pequenos anos. A troca que existência humana cobra sem parcelas.


Mais uma turma de novas estagiárias dando continuidade na sua formação como técnica em enfermagem e uma emoção sacudiu meu espírito viajante quando observei em cada novo olhar daquelas jovens o desejo ardente em ajudar, conhecer mais e cuidar de seus semelhantes... Eu estava de volta. Chegamos ao setor e nos encontramos com alguns entraves, nada mais que querendo provar nossa vontade de estar ali presentes como instrumento da Luz Divina. Na saúde não existe isso de ficar “sem fazer nada”, sempre terá alguém para ajudar e foi desse jeito que encontramos o senhor J. N. vamos assim chamá-lo por questões éticas. Um paciente com seus 68 anos de idade, recém operado pela Urologia e com um agravante... Sem acompanhante. Chegamos perto e seu estado não era dos melhores, necessitava de uma atenção especial: Ainda todo sujo de sangue, numa maca, dieta zero, tinha apresentado êmese logo cedo SIC (segundo informações colhidas), enfim precisava de nós. Chamei pelo olhar algumas alunas e logo fui atendido levando aquele cidadão para sala de procedimentos onde iniciamos o processo de um banho. Notei também que ele estava com obstrução na SVA e apresentava algia ao toque na região da bexiga, providenciei imediatamente material para desobstrução, pois ninguém merece estar sozinho em um hospital público e com dor. Foi um trabalho iluminado e purificador porque o Sr. J. N. saiu daquela sala, asseado, sem dor e com instruções de uma dieta liberada, pronto o caminho totalmente seguro e calmo. Não, passamos todo o plantão em QAP Total (atenção) porque estava prescrito para ele, Irrigação Contínua e o receio da sonda obstruir novamente o que aconteceram algumas outras vezes e fora feito a devida desobstrução e alívio da dor. As alunas entenderam o recado e ficaram comigo sempre no bom atendimento a outros pacientes sem esquecer-se do Sr. J. N. e no final do nosso “Plantão” de conhecimentos e procedimentos lá estava novamente o paciente com os lençóis ensangüentado... Reunimos forças e realizamos todo o processo inicial do dia e faríamos isso sempre que necessário.


Quando entregamos nossas vidas às bênçãos do Grande Arquiteto do Universo um Grande Campo Energético nos oferta a Benevolência Universal da Vida.


Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O Necrotério

O Necrotério



A de se espantar alguém que tenha o fascínio de estar em um recinto mórbido. Mais uma dessas curiosidades que a vida nos apronta e não sei se admiro ou fico assustado com tal comportamento. Aliais a palavra comportamento vem do conjunto de ações de um indivíduo observáveis objetivamente.


Era mais um início de estágio para uma nova turma de alunas de “Técnicas em Enfermagem” onde ninguém conhece ninguém, nem a si mesma... Apresentamo-nos ao setor de estágio e logo começamos a trabalhar, até porque o Setor de Urgência e Emergência ninguém fica parado. Atendimento vem e atendimento vai até que uma das alunas me chamou ao canto e com um brilho todo especial nos olhos de desejo ardente me interpelou: - Professor, onde fica o necrotério? Para meu espanto respondi: Meu Deus alguém do seu conhecimento morreu? Ela riu e respondeu: - Não, eu é que sou fascinada por estar e ficar dentro de um necrotério... Aquilo me deixou pasmado até porque é o único lugar que um ou um (a) aluno (a) quer conhecer ou até mesmo ficar. Disse-lhe que não sabia e desconversei o assunto até para que o foco do aprendizado fosse e continuasse sendo o paciente “Vivo”. Chegou a hora do almoço e no momento de relaxamento (raro na enfermagem) perguntei a pretensiosa aluna: Por que você tem esse desejo ou encantamento por necrotério? Ela com um sorriso de dia das bruxas respondeu: - Professor não sei dizer, talvez seja porque uma pessoa muito querida minha morreu no dia do meu aniversário. Explicação talvez óbvia demais para que trabalhe na psicologia, mas para mim que além de enfermeiro – poeta – espiritualista na me convenceu e o debate aconteceu... Chegamos a uma medicação na conversa até porque devemos respeitar a opinião e desejos alheios (Livre Arbítrio) voltamos para a segunda parte do estágio e quando dei por mim não conseguia visualizar a aluna entre os pacientes (Vivos) no corredor da emergência. Logo depois enxerguei ao longe ela (a aluna) vindo em minha direção com um sorriso muito bonito e transbordando de felicidade, não tive mais dúvida ela fora visitar o necrotério... E então gostou? Ela responde: - Amei professor me senti realizada.


Se diante do espelho a mais complexa imagem do nosso reflexo não nos enxergamos por completo... Que podemos dizer do nosso companheiro de viajem terrena? 



Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Humanização

Humanização


Participar da Enfermagem Brasileira é uma das grandes alegrias que logramos no percurso de toda nossa carreira profissional. Estávamos fechando mais um ciclo de estágio dos acadêmicos de uma grande Faculdade aqui de Recife/PE e o meu desejo era fecharmos com um aprendizado para marcar toda a nossa vida. Quem lê assim e sabe que estávamos no setor de emergência vai pensar e com razão que o nosso desejo era o sucesso em uma reanimação de PCR (Parada Cardiorrespiratória)... Engano total.


Chegamos ao sábado para um plantão de 12 horas, equipes a postos para o que der e vier... Medicação completa, enfim tudo certo como manda o figurino a não ser um mau cheiro terrível de matéria orgânica podre que encheu todo o ambiente da emergência. Tal odor terrível não deixava ninguém transitar pelo setor com tranqüilidade e fomos à procura de acabar com a tal podridão. Para o nosso espanto na “Observação Masculina” encontrava-se um senhor humilde, cambaleante e de voz arrastada. A nossa surpresa para o péssimo aroma vinha dessa pessoa... O que fazer? Quem é esse cidadão? Tem acompanhante? Qual a patologia que o levou a ficar internado na observação da emergência? Tantas perguntas e uma Enfermeira de Primeira Classe que vamos chamar a mesma aqui pelo nome fictício de Senhora Flora. A minha parte era orientar os estagiários no setor e alcançou algo mais distante, observar a atitude de nossa Enfermeira Flora e assim fizemos... Enquanto eu e minha equipe atendíamos outras pessoas na sala de medicação a Senhora Flora partiu para providenciar material de higiene pessoal e indumentária limpas para o cidadão vestir, pois tudo indicava que o mesmo passaria o fim de semana no hospital e assim foi. Não agüentamos de tamanha curiosidade para saber mais sobre o cidadão e fomos perguntar a Enfermeira Flora algo mais... Ela nos respondeu que o senhor que se encontrava na observação masculina era um morador de rua e etilista, estava debilitado, desidratado, desnutrido e sem ninguém na vida. O silêncio tomou conta de meu espírito e da minha equipe também e a partir dessa informação engajamos na grande missão em ajudar de alguma forma o irmão desprovido de recurso. Após um bom banho, roupas limpas o cheiro desagradável foi embora, aquele homem dormiu tranqüilo todo o sábado. Domingo chegou e veio à curiosidade em visitar a observação masculina... Lá estava o senhor do destino, agora com um aspecto mais tranqüilo, alimentado e higienizado. Ficamos a pensar até onde vai a Força da Nossa Enfermagem no Cuidar? Impossível mensurar tamanha dedicação de um Ser em prol de outro Ser... É hora de falar um até breve, quem sabe um dia eu volte e que valeu todo o aprendizado de convivência e sabedoria da experiência de vida de todos, sejam técnicos em enfermagem, enfermeiros, enfermeiras o que logramos foi à passagem de uma grande lição que irá perpetuar com a Fragrância da Humanização da Enfermagem.


O Cuidar não é competência apenas do Sistema de Saúde... É uma responsabilidade alçada à Vida Individual e Coletiva.



Fernando Matos
Enfermeiro e Poeta Pernambucano
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Paciente X

Paciente “X”


Vivemos com tanta pressão que às vezes é preciso um momento de descontração para saber que a nossa existência não é apenas de preocupação e dor.


Em nosso encontro de trabalho na emergência aconteceu um fato que se fosse para ser uma pegadinha não teria sido tão hilário. Quando estou com alguma equipe de enfermagem tento transmitir a união e responsabilidade acima de qualquer interesse pessoal levando a quem estiver a pensar que o importante é a Vida do nosso semelhante. Assim se faz Graças a Deus e todo o serviço torna-se mais leve porque muitas mãos trabalham em um objetivo realizando com êxito e glória sua missão. Foi uma manhã turbulenta, vários pacientes a medicar e a atenção estava à flor da pele e mesmo assim tomávamos conta um do outro. Quando já estava chegando perto das 12 horas e a linha de partida para o almoço mostrava-se tão perto fui controlando a ansiedade de todos mesmo sabendo que é importante repor as energias para uma boa continuidade do serviço. Eu, da minha parte estava com uma vontade enorme de aliviar-me e o corre-corre do serviço não teria dado oportunidade para tal feito. Então, ao comunicar à minha equipe a boa hora do almoço soltei uma mensagem: “Antes vou ali ver um paciente que está com água no joelho e precisa urgentemente fazer a retirada desse líquido” e assim fui... Ao retornar para o grupo vários sorrisos largo, e confuso perguntei: - O que houve? Uma pessoa da equipe respondeu ainda rindo muito. - “Professor (como sou carinhosamente chamado) “eles” estavam preocupados com o paciente que o senhor foi ver (mais risos) e eu falei que o senhor teria ido ao toalete eliminar diurese. Aliviados de todas as formas (risos) fomos nos reabastecer para o segundo turno de uma emergência cheia de surpresas (mais risos).


“O bom líder caminha atrás de seus seguidores...”


Fernando Matos
Enfermeiro e Poeta Pernambucano

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Olhar da Eternidade

O Olhar da Eternidade


Eu ainda era um novo viajante na Saúde como Técnico em Enfermagem em um Grande Hospital de Recife/PE, quando fui chamado certo dia por minha querida professora e líder... “Preciso de você Fernando para tirar um plantão à noite, sei de sua capacidade e confio nos seus serviços...” como dizer não diante desse pedido? Liguei para casa avisei a família que iria ficar no hospital e assumir o plantão noturno. O que me esperava? Como eu reagiria diante de uma dificuldade na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)? A ansiedade mata um condenado antes mesmo de sua execução.


Chegou à noite e como já estava no plantão diurno só fez seguir o caminho da longa noite escura. Dizem que os invejosos não precisam esconder-se para mostrar e destilar seu veneno... Isso é uma grande verdade. Organizamo-nos no serviço, dividimos os pacientes e o horário de descanso e eu notava um olhar estranho em minha direção e se fosse para ceifar-me com certeza já estaria no mundo espiritual há muito tempo. O que é importante e sempre teve como minha meta foi Servir com atenção e carinho o meu semelhante. Quando se aproximou a hora do descanso fiquei na vigília com a outra técnica de enfermagem e foi aí que tudo aconteceu. A colega que ficou comigo chegou enfática e disse-me: “Não toque nos meus pacientes, cuide apenas dos seus estamos entendido?” eu ri e balancei a cabeça afirmativamente. Ao passar da meia noite um dos monitores do paciente que a colega cuidava começou a agir de forma estranha e eu do canto não saí (agitado por dentro), ela foi mexeu para um lado e para o outro e nada. Continuo a tentar reverter sozinha o quadro do paciente e nada... Então ouvi uma voz (era a dela), “Fernando, por favor, você pode me ajudar?” Sem demora respondi: Sim eu posso, com certeza. E resolvemos juntos, estabilizamos a condição clinica do paciente (que alívio).


Tudo tranquilo? Não, parece que nós da enfermagem de terapia intensiva ficamos sensíveis aos sons dos monitores cardíacos e ouvi algo estranho e saí à procura quando observei uma das pacientes que estava em estado muito crítico após uma cirurgia abdominal e na região uma tela... Cheguei perto dela, olhei o monitor e nada de errado nos parâmetros, mas uma coisa me chamou muito a atenção naquele momento. O olhar daquela senhora estava querendo me dizer algo (ela não verbalizava), fiquei alguns segundos encarando aquele olhar e consegui entender e como deveria agir... Cheguei mais perto da paciente e falei: “Está tudo bem e vai ficar melhor, siga sua Luz porque a Vida continua... Deus esteja sempre contigo” e na manhã que demorou tanto a chegar essa paciente veio a falecer com um semblante tranquilo, sem dor... O apego é uma das piores formas de tortura, desapegar-se é estar sempre no caminho escolhido pelo Grande Arquiteto do Universo.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sem Contra Indicação

Sem Contra Indicação



Quando o mar está agitado, é hora de buscar o equilíbrio das velas. (Fernando Matos). Quem trabalha na Enfermagem sabe que a tensão, a preocupação, o estresse é constante e nos momentos de risos fáceis parece que a Bênção Divina desceu sobre o plantão como o balsamo da Paz... Quando isso acontece nos enchemos de muita alegria “Sem Moderação”.


Aconteceu em um dos estágios que atuei como preceptor de urgência e emergência. Era dia de muita chuva é como se fala nos encontros poéticos: “Chovia a Cântaros” e os alunos muito preocupados com suas roupas brancas, querendo continuar impecáveis na apresentação pessoal. Para mim nada disso tem muito valor o importante é trazer na alma a coragem, determinação e vontade enorme de “Cuidar” do seu semelhante. Manhã transcorria com tranquilidade e muita atenção... Isso eu dou valor, o cuidado no cuidar. A hora que todos gostam: O Almoço... Uma mistura na fisionomia de alegria e muita fome (risos), saímos em buscar de colocar nosso organismo saciado, todavia tudo era longe e sem opção... Então na hora que a fome aperta até farinha nordestina é bem-vinda. Chegamos ao supermercado mais próximo e nos deparamos com uma fila enorme e isso para quem está com fome é um martírio. Se esperar é o jeito por que fazer cara feia? Sorria que a dor alivia e depois de muito tempo naquela longa e dolorosa fila finalmente sentamos e nos saciamos com um enorme baguete e refrigerante. Sorrimos e no mesmo instante outra preocupação, a volta ao trabalho... Era longe, “pior é na guerra” já diz o ditado. No caminho ao trabalho para o segundo turno notei uma fita amarela amarrada ao sapato de um aluno, se fosse uma letra musical tudo bem, mas fiquei intrigado e perguntei: Que danado é isso? O mesmo prontamente respondeu: “A Sola do sapato se foi...” “A desgraça de um é a alegria de outros”. Todos riram e ficou uma pergunta no ar: Ele vai deixar mesmo a fita amarela amarrada no sapato dele? (risos). Tem-se uma coisa que apreendi na vida é que: “Se está ruim, pior também pode ficar”, o aluno ao chegar ao posto de emergência prontamente socorreu seu sapato enrolando com um pedaço de esparadrapo. Pronto o ápice do absurdo da comédia humana estava dando seu melhor desfecho para aquele dia de muita chuva e mais um dia de trabalho na Enfermagem bem executado.


Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano

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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bendita Liberdade

Bendita Liberdade



Os Caminhos da Enfermagem são longos e cheios de surpresas. Estava eu acompanhando alunos no campo de estágio de Saúde Coletiva na sala de vacinação quando adentra ao recinto uma jovem grávida e de aspecto tranquila e angelical. Triste é humanidade que só enxerga o cristal por fora.

Acolhemos a gestante e solicitamos seu cartão de vacinação. Era um dia de trabalho muito tranquilo com oportunidade de uma boa conversa, assim se fez... Carinhosamente chamaremos essa gestante de “Mãe”: - Mãe que barriga bonita está fazendo o pré-natal direitinho? Ela responde: Sim, tudo direitinho. Equipe: - Já sabe o sexo da criança? Mãe: - São dois meninos.

Foi uma alegria muito grande de todos. A curiosidade para saber os nomes foi instantânea: Mãe – Um se chamará Bento (Bendito) e o outro Francisco (Livre). Uma colega exclamou: São nomes fortes e a Mãe concluiu: - Um deles apresenta anencefalia... Ficamos estarrecidos, o silêncio tomou por um segundo o vácuo da sala de vacinação. A gestante confirmou a todos que faria a doação de órgãos quando chegasse a hora. A Mulher já vem ao mundo com alma materna, que sentimento iluminado, que coragem, só Deus para confortar aquele coração de Mãe. Somos ínfimos diante de nossos problemas e essa Gestante tão cheia de Luz para nos ensinar a viver. Só a carne aprimora o Espírito Humano e nos encaminha à Bendita Liberdade.

Fernando Matos
Poeta e Enfermeiro Pernambucano